Brasil; Haverá Eleições? Lula Será Preso?

Antonio Proenca

 

Dizer que o Brasil vive em uma democracia frágil desde 1989 quando tivemos as primeiras eleições pós-ditadura, é algo perceptivel até mesmo por aqueles que se mantém num nível moderado de alienação midiática.

Perceber que de 2013 para cá essa fragilidade aumentou e, se nas turbulentas manifestações de junho daquele ano havia um receio, principalmente entre os mais velhos, de um golpe militar, medo que se justificava pela incapacidade de governar da Presidente Dilma e igualmente, pelo histórico de golpes em nosso país, hoje a tensão e expectativa são ainda maiores. O que temos em questão não é “somente” a ameaça de militares, como General Mourão em palestra promovida pela maçonaria em Brasília. Também nas falas recentes do próprio Temer que disse “Em ‘64 o povo se regozijou com a centralização absoluta do poder…”. Declaração feita poucos dias antes dos 54 anos do golpe.

(link https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2018/03/26/temer-diz-que-povo-se-regozijou-com-centralização-do-poder-em-golpe-de-64.htm?utm_medium=social-organico&utm_campaign=noticias&utm_content=geral&utm_source=twitter )
O cenário é de instituições políticas em xeque por conta dos escândalos de corrupção, um presidente com quase 1% de popularidade, desemprego em alta recorde, apesar das taxas de juros serem reduzidas e inflação se manterem mais baixas, e população cada vez mais desigual vivendo um momento de descrença generalizada. E agora ganham mais força as especulações se haverá eleições.

(link https://twitter.com/BlogdoNoblat/status/978879225880104961)

E, principalmente, o fator Lula. Esse fator será crucial para entender o que vai acontecer até as eleições de outubro. As pesquisas para presidente que há vários meses o apontam como candidato preferido, em contraponto com a incerteza sobre sua candidatura por conta da condenação, a dúvida sobre possível prisão a ser julgada no dia 4 de abril, as maratonas com Lula pelo país, que trazem consigo o pior dessa polarização, com pessoas atirando contra os ônibus e atacando os simpatizantes de Lula, tudo isso mostra como uma única figura consegue catalisar tanta coisa.
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Como se não bastasse tudo isso, ainda estão bem quentes as execuções da política e ativista Marielle e do motorista Anderson. A morte de Marielle trouxe à tona o pior dessa polarização, o apartheid à brasileira. Foi uma ação única com motivação política, mas que, por se tratar de figura pública, teve repercussão mundial – nota-se que estamos falando de um país em que se matam 58 ativistas por ano, ou mais de um por semana. Até agora não se encontraram os culpados. Acredita-se que essa morte política trará ainda mais a direita moderada para o centro, isolando a direita extrema.

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O golpe militar – assim como os tiros que tiraram as vidas de Marielle e Anderson, nao dá aviso antes: explode e quando se viu já era tarde demais. Uma guerra civil também.

Apesar de todo o cenário de crise, desemprego na casa dos 13 milhões, se sempre existiram mais possibilidades de golpe institucional do que reação popular, o motivo disso chama-se Brasil. Há separação enorme entre aqueles que estão no poder e o resto da população. Em seu enorme território habitam vários brasis, de diferentes nações, valores diferentes, classes diferentes e que compartilham senso de individualismo notado por qualquer europeu que passe por lá de férias. Junto a isso nota-se grande alienação política, podendo ser ilustrada em incoerência diária de boa parte da população que tem Lula(progressive, centre-left views) como seu primeiro candidato e Bolsonaro(conservative, right/far-right views) como segunda opção. Essas incoerências, contrastes, disparidades, isolamentos, esses brasis dentro do Brasil, além do descompromisso com a pátria, algo que distingue o Brasil até do vizinho do norte de cultura individualista, tudo isso se sobrepõe a qualquer possibilidade de formação de mobilização nacional popular.
Para pensar o Brasil é preciso vivê-lo. Se, inocentemente, usarmos a ótica eurocentrista para compreensão de uma realidade tão diferente da que se vive aqui na Europa não seremos justos. No jeito brasileiro de se fazer as coisas tudo faz sentido e tudo pode ser explicado e também solucionado. Porém, esse jeito tem sido usado de forma muito ruim e ameaçadora para o país. Nunca os três poderes estiveram tão expostos em seus jogos de interesse. Recentemente, o ministro Barroso, da corte suprema chamou o seu colega, Mendes, figura de reputação bastante controversa, de “…pessoa horrível, com pitadas de psicopatia…Vossa excelência nos envergonha…sempre atrás de algum interesse que não os da justiça”. No executivo, temos o presidente cercado de criminosos, alguns amigos recentemente presos, mas logo depois soltos. Temer, ele próprio, mesmo tendo sido alvo de acusações sérias de obstrução de justiça e organização criminosa, não “regozija” nem uma renúncia. Ao contrário, apesar de quase 1% de aprovação, quer se lançar como candidato a presidente. “Isto é Brasil”, resumiria até o humilde vendedor de balas. E as ameaças à democracia que por enquanto ainda pairam no ar, ou nas bocas do presidente e seus asseclas, deixam o futuro próximo ainda mais incerto. Haverá ou não eleições? Lula será ou não preso?

Chegamos a um ponto que se torna necessário que o brasileiro se sinta parte da política, que tome gosto por ela, que se sinta cidadão, que participe democraticamente, com respeito ao próximo, discutindo as ideias, que não demonize a política como tem sido feito, e que supere os próprios ódios, torcidas e egos em prol de um debate que traga o progresso pra todos. Desde 2013 questionamos quando teremos essa sociedade e desde 2013 que as sombras das ameaças às nossas instituições são vistas por todos os cantos do país. E quem mais sofre com as consequências é o povo alienado. Nossas instituições políticas perderam a credibilidade e nosso sistema está em colapso. O Brasil é um reflexo dramático do que ocorre mundialmente, e não há, no momento, alguma ideia de quando esse cenário possa melhorar. Tempos turbulentos.

 

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